quinta-feira, 25 de setembro de 2014

São José perde a primeira no Brasileirão dentro de campo, enquanto o racismo venceu do lado de fora

FOTO: Divulgação/Kindermann Futebol 
00A equipe de futebol feminino do São José EC perdeu a primeira partida no Campeonato Brasileiro de 2014. Jogando no sul do país, mais precisamente na cidade de Fraiburgo em Santa Catarina, as Meninas da Águia foram derrotadas pelo Kindermann por 1x0 e com isso caíram para a vice-liderança do Grupo 2 da competição, perdendo a liderança justamente para a equipe catarinense.

O gol das donas da casa foi marcado por Sâmia, ainda na primeira etapa. Com o resultado o Kindermann chega aos seis pontos, mantendo o 100% na competição, as joseenses caíram para a segunda posição com quatro pontos, e agora tem uma vitória, uma derrota e um empate.


O lado negativo da partida ficou por parte da torcida catarinense, que segundo o coordenador da equipe joseense Gustavo Assad, chamou a camisa 9 do São José Michelle Carioca de "macaca" durante a partida inteira.

Segundo Assad, quando a jogadora joseense pegava na bola, a torcida gritava a palavra “macaca” entre outros xingamentos, durante todo o empate. Ele procurou a polícia militar e a diretoria da equipe catarinense, porém ambas as partes não fizeram nada.

- “É lamentável. É uma falta de respeito enorme com a gente e com qualquer ser humano. Vi - torcedores xingando ela (Michele) de macaca durante a partida, mas a arbitragem não registrou na súmula” disse ao portal meon.

- “A torcida chamou a nossa jogadora de macaca, eu avisei polícia e diretoria e ninguém fez nada. Vou procurar nossa assessoria jurídica. Isso não pode ficar assim. O caso Aranha, por exemplo, pode ajudar a acabar com o racismo nos estádios. Mas no futebol masculino você tem milhares de câmeras que provam que a torcedora chamou o atleta de macaco. No futebol feminino, não. Só que nem por isso eu vou desistir de denunciar essa injúria” afirmou em outro momento em entrevista ao portal Globoesporte.com.

A equipe joseense entrou com uma representação na CBF contra a equipe a torcida catarinense e aguarda uma posição da entidade. O presidente do Kindermann, o Sr Richard Kindermann nega veemente a acusação e diz que a torcida seria incapaz de tal ato, porém não é o que dizem a comissão técnica e outras jogadoras do elenco joseense, como Priscilinha e Gislaine:

- “Sem comentários! Mas aqui (em Santa Catarina) já passamos por isso outras vezes.” disse Priscilinha.
- “Preconceito lamentável! Já é difícil ver relatos de preconceito pela TV, mais revoltante ainda com uma colega de trabalho.” Esbravejou Gislaine.

Michelle Carioca se pronunciou hoje sobre o caso e disse não ter ouvido nenhum xingamento, porém a comissão a relatou e ela confia em seus colegas de trabalho:

- “Eu não ouvi nenhum grito. Mas o pessoal da comissão me passou que me chamaram de "macaca". Então acredito neles, claro, e lamento que isso ainda aconteça nos dias de hoje. Não é a primeira vez que somos insultadas contra eles em Santa Catarina, aconteceu isso com outras jogadoras nossas.” Disse.

Em um outro campeonato anterior essa reclamação de racismo já havia sido feito, mas daquela vez pela jogadora Formiga, que está com a seleção feminina. Na época a jogadora disse que também foi chamada de macaca, conforme Assad confirmou:

- “Já aconteceu com a Formiga e com outras jogadoras nossas. O curioso é que o time deles você só vê jogadoras loiras, branquinhas.” Informou também ao portal Globoesporte.com.


Resta agora a diretoria da Águia do Vale aguardar o que será feito pela CBF, e torcermos para que esse racismo IDIOTA seja extinto do mundo.

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