quinta-feira, 31 de julho de 2014

Opiniões de Quinta: Se for para cornetar, é melhor cornetar direito.

Desculpem-me todos, mas esse “mi mi mi” de que a Prefeitura de São José dos Campos quer destruir o basquete joseense já deu o que tinha que dar. Depois de anos de protecionismo patriarcal, um prefeito (que eu não admiro, não acho correto, não votei e nem pretendo votar em 2016) admite que o time precisa andar com as próprias pernas causa essa repercussão toda. Concordo que há sim um problema, mas ele está muito longe de ser o repasse de verbas municipais.

Primeiro porque não sei em qual mundo a melhor solução para um time é ser responsabilidade da prefeitura. Convenhamos, seria necessário manter a mesma estrutura política durante toda a existência do clube ou então inclui-lo na Constituição Federal/Estadual para que seja obrigação do município mantê-lo. Ou seja, desiste gente, não é responsabilidade integral da prefeitura. Nem culpa de quem ajudou o atual governo em questão se eleger.

Depois, fazer-se valer somente da LIF, Lei de INCENTIVO Fiscal, sendo que ela tinha como objetivo principal promover “(...) a realização de projetos esportivos não profissionais de São José dos Campos (...)”, ou seja, encontramos mais um erro. Uma lei complementar aqui, outra alí, e o LIF virou a mesada privada do basquete. Logo, o dinheiro que era para o fomento dos atletas de base de todos os esportes praticados em São José foi destinado, em sua maior parte, para manter a folha salarial “estelar” da equipe. Um mundo de jogadas políticas, adaptações “legais” por todos os lados para “acochambrar” o direcionamento de verbas. Qual a chance disso dar certo eternamente?

E nem adianta vir com o papo que essa mudança para OS (Organização Social) pegou a todos de surpresa.  Primeiro porque o projeto existe desde o ano de 2011. Depois porque a O.S. assumiu o basquetebol há pouco mais de um ano, oficialmente no dia 17 de junho de 2013. E inserir a equipe em uma O.S. foi uma jogada interessante. Ficou claro que já não era mais possível manter uma equipe de altíssimo nível como dependente municipal. Porém, com a O.S ainda é possível a entrada de repasses do município e há a permissão de entrada de capital privado, uma vez que é possível a realização de convênios, tendo os lucros e as sobras revertidos a própria O.S. Ou seja, com o passar do tempo, a organização se autorregulará financeiramente.

Então, o que faltou para dar certo?
Simples.  

A começar faltaram parcerias. O administrativo e a gestão de marketing da O.S. esqueceram-se que precisariam angariar empresas com interesse a associar a sua marca a uma equipe de destaque internacional. Coisa difícil, não?

O conselho administrativo ficou a sombra da prefeitura e da LIF por um ano. Eu acho que ainda não queriam aceitar o fato de que seria necessário trabalhar para ter dinheiro, pois só isso explica a falta de convênios.

E, para terminar:

“Rafael Gonçalves Mota, presidente da Organização Social que administra o time, afirmou que "não está por dentro" das negociações da equipe para a próxima temporada” (Fonte: G1.com, matéria publicada no dia 21 de julho de 2014). Se nem o presidente sabe quais os rumos da sua própria equipe, como é possível pensar que ele tenha planejado algo para ela?

Resumindo, faltou administração. Faltou gente qualificada. Faltou trabalho. Faltou planejamento. O que é uma pena, pois já não faltava time dentro de quadra. Em compensação, fora de quadra temos uma equipe tão boa quanto o banco de reservas de um time qualquer do campeonato de basquete amador do Azerbaijão.


A mudança aqui não deveria ter vindo de baixo para cima. Todos conheciam a qualidade técnica da equipe. A mudança nesse caso era lá em cima. Amar o esporte ou tem sido jogador não fornece conhecimento técnico algum para se tornar responsável pela gestão de um clube, principalmente um clube da atual dimensão do São José Basquete. E enquanto for negligenciado que se faz necessário buscar pessoas com qualidade técnica para assumir a diretoria, veremos esse show de horrores que deixa claro que administração, gestão financeira e gestão de marketing não são frutos do amor ou da vivência pelo esporte, e sim da formação adequada e atualização em cada área de conhecimento. Amar o esporte é um diferencial com imensurável valor, mas ainda não resulta em perfil profissional e está a quilômetros de distância do sucesso organizacional. 

por Bruna Ribeiro.

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